sábado, 4 de abril de 2015

Os dois lados da moeda: fãs


Tenha tudo o que puder, antes que você fique sem.

Não queremos discutir aqui se pode ou não pode (por que afinal cada um com sua vida), mas estudar uma espécie de consumidores que além de idolatrarem uma marca, teimam em pensar que, por financiarem anos de suporte comprando produtos, tem direito de intervir, reivindicar, e em casos extremos até direito sobre a criação.Estes são os fanboys, fãs com carência e baixo estima que procuram em algum lugar do mundo alguma franquia ou emblema para  o representarem.
Compram sem pensar duas vezes (mesmo produtos repetidos como remakes), defendem empresas ou pessoas em briguinhas na internet mais do que defenderiam suas próprias mães.São acumuladores materialistas que perdem espaço no próprio quarto devida paixão platônica por coleções, o envolvimento sentimental material, a nostalgia, ostentação, super valorização, o ápice do consumista.

Mas quando tudo isso começa, onde aprendemos isso? em muitas fases da vida, inclusive na própria infância, onde aprendemos com nossos amiguinhos que quantidade traz amizade (muitas por interesse).O fato é sentir que tem vantagem sobre os outros, seja conhecendo uma pessoa famosa ou tendo um bonequinho raro, no fundo procuramos ter algum valor, e frustradamente quando encontramos isso de forma externa, agarramos isso com tanta força que tal fanatismo nos prejudica, cegando e dificultando cada vez mais a nossa criação, o nosso eu.

Particularmente nunca fui fã de algo a ponto de querer ter tudo, até por que nunca tive dinheiro para consumir o que visse.Provavelmente quando criança, mais suscetível a esse tipo de desejo, tinha lá meus álbuns, bonecos, brinquedos, até onde meus pais conseguiam dar.E ficou por isso mesmo.

e foi isso que sobrou

Mas acredito que não tive tendência para continuar super valorizando coisa externas por que sei desenhar e sempre fui uma pessoa que julgavam criativa, sendo assim eu tinha lá meu valor, um brilho que poderia ajudar me a crescer.
Todos tem, a questão é descobrir... mas quem está ligando para isso?Os pais deveriam ligar, investir, já que não é toda criança que tem oportunidades de crescer e ter educação de qualidade, embora a educação dos pais, aquela aprendida em casa, também se somam a isso, não depende só de qualidade de escola, mas enfim...

É algo muito comum vermos por fóruns de internet e afins fãs reclamando de coisas que nem se quer saíram do papel mas que tem notável chance de terem modificações devido caminho que tomam quando entram em fase de adaptação para uma outra mídia.E quando surgem fotos então dá-lhe memes, comparações e alterações.

Em um exemplo atual, fã deu sua opinião sobre o novo rosto das TMNT alterando a imagem original, que no caso é a nº2.

Seja vindo do desenho animado para o filme, e do filme para o jogo, e vice- e versa, existe um sentimento negativo, precoce e egoísta sobre mudanças nas franquias devido ao fato que essas pessoas cresceram vendo aquilo de um jeito e não aceitam mudanças, pois estragariam as lembranças de suas infâncias.É uma pena mas o mundo não é assim, amigo.
Quando começamos a gostar de algo (ou mesmo alguém), já se deve ter em mente que aquilo um dia vai mudar, sendo para melhor ou pior, vai mudar, não temos controle, e as mudanças, como na vida, vem para a própria sobrevivência daquilo que tenta existir.
Séries mudam, se adaptam para um novo público, e muitas vezes desmerecem o público antigo, mas o que poderemos fazer? Nossa vez já passou, devemos no mínimo compreender que aquilo é um produto, e que nós não somos mais o público alvo, assim como quando um funcionário velho é trocado pelo novo.

Mas mesmo assim existem considerações, o tal fan service que é quando informações muito específicas sobre a franquia são apresentadas, como forma de agradar os fãs antigos, então não somos apenas meros consumidores, os criadores se importam, ponto pra gente.
Agora, entendo que quando se trata de adaptações de jogos para o cinema temos mais exemplos ruins do que bons, e isso gerou um certo trauma entre muitos jogadores,e com razão, mas as coisas mudam, a tecnologia ajuda e então você decide se ignora ou junta-se a eles.
Num exemplo acima, usei uma imagem do novo filme das Tartarugas Ninjas (não veio dos videogames, mas tem relação), ao qual eu , desde que vi o 1º trailer comecei a ter uma opinião formada sobre o filme, e gostei da maioria das coisas que vi, da transformação fisica nas tartarugas, que apesar do tamanho, ainda estavam brincalhonas e lutavam contra um Destruidor mais forte do que visto em qualquer outro filme.Não sei se os fãs mudaram de opinião mas de qualquer forma o filme foi um sucesso, e logo após o primeiro dia de exibição já haviam confirmado uma sequência com a presença de Bebop e Rockystead.
Não sei vocês mas eu não fico criando muitas expectativas por que isso é um caminho tênue para a decepção.No caso do filme das tartarugas essas sequências só trazem possibilidade de coisas legais aparecerem, como os soldados foot robôs, os caça ratos,o technodromo e finalmente um vilão nunca visto nos cinemas, Krang.  

Como todo o ser que protege sua cria, o fã tenta emular isso, mas no caso dos games isso rende boas idéias e bons jogos, chegando a serem considerados e lançados pela própria marca detentora dos direitos, como foi o caso do jogo MegaMan vs Street Fighter, jogo criado por um fã e oficialmente lançado de forma virtual e gratuita pela Capcom.

Ganhou o selo da Capcom, essa que não liga mais pra MegaMan como nos anos 90

Falando ainda em MegaMan temos outro game que ganhou um certo destaque já que apesar de ser um remake, este usa gráficos 2.5 D. Este jogo ainda está em desenvolvimento e ainda não ganhou o selinho da Capcom, mas você pode baixar a demo ou mesmo conversar com os desenvolvedores.


Um outro exemplo interessante relacionado a fã e games foi a plataforma chamada OpenBOR que a Senile Team desenvolveu. Imagine, um programa de código aberto que te ajuda a criar jogos beat'em ups de sua própria autoria.Um beat'em up conhecido por estrear o software foi o Beats of Rage, que usava personagens do jogo King of Fighters no melhor estilo "jogo de briga de rua".Hoje temos muitos mods interessantes criados através este programa, jogos do ponto de vista do jogador mostrando o que ele gostaria de jogar.

Inspirado na franquia Street Of Rage, jogo usa de cenários à músicas eletrônicas fazendo referência ao jogo.

Um mod chamado Double Dragon Gaiden, bem nostálgico.

Então vimos que apesar de "mimimi" por parte de alguns, existem fãs que tem uma direção positiva sobre as coisas, criam e mostram para os criadores que nem tudo esta perdido, facilitando ainda mais a comunicação entre criador e consumidor.
Infelizmente não é sempre que seremos ouvidos, até por que aquilo que gostamos, quanto mais famoso, mas dinheiro envolvido, e ninguém gosta de arriscar jogar dinheiro fora, correto!?
Mas por outro lado, na minha opinião, por mais que sejam legais essas criações feitas por fãs, existe um retrocesso, pois eles estão trabalhando algo que não é deles, e se caso fosse, será que teriam o mesmo impacto?Essas versões só influenciam outros fãs a fazerem o mesmo em vez de usarem aquelas novas idéias para algo de criação própria.E depois reclamam que a indústria só repete, não cria nada, e por acaso vocês  deixam?
Embora usar aquilo que gosta como escada, ou cavalete, pode ser usada como estratégia para outras pessoas perceberem seu trabalho, pode ser ao mesmo tempo perigoso pois na hora em que você produzir algo de sua autoria, o público pode sentir falta do que você mostrava antes e na pior das hipóteses, não acompanhar mais sua arte, seu trabalho.
Vemos muito disso por aí, trabalhos que são autorais mas usando da criação de terceiros para se sobressair, criando um circulo vicioso, dependente. Mas pessoas sobrevivem assim, é uma escolha.

Óbvio que uma criação própria daria mais trabalho, mais empenho, e uma aceitação direta talvez não fosse possível já que não há tempo para tentativa e erro. Em numa época em que tudo precisa ser imediato afim de aproveitar a sagrada juventude, é de se compreender tal direção.O tempo é algo valioso, e isso só fica evidente quando vemos que pessoas a sua volta estão progredindo, enquanto você continua estagnado.Mas o que seria progressão?É hora de repensar.

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